Louvemos juntos ao
Senhor:
SALMO 149 – “O TRIUNFO DE ISRAEL”
1. Cantai ao Senhor um
cântico novo,
Ressoe o seu louvor
na assembleia dos fiéis,
2. Alegre-se Israel em
seu criador,
Exultem em seu rei os
filhos de Sião.
3. Em coros louvem o
seu nome,
Cantem-lhe salmos com
o tambor e a cítara,
4. Porque o Senhor ama
o seu povo,
E dá aos humildes a
honra da vitória.
5. Exultem os fiéis na
glória, alegrem-se em seus leitos.
6. Tenham nos lábios o
louvor de Deus,
E nas mãos a espada
de dois gumes,
7. Para tirar vingança
das nações pagãs, e impor castigos aos povos;
8. Para lançar em ferros
os seus reis,
E por algemas em seus
príncipes,
9. Executando contra
eles o julgamento pronunciado.
Tal é a glória
reservada a todos os seus fieis.
Sabemos que os salmos
precederam em séculos a Jesus, então o povo daquela época acreditava em um Deus
Soberano e Poderoso - “El Shaddai”, como nos mostra o versículo 6 “Tenham
nos lábios o louvor de Deus, e nas mãos a espada de dois gumes.”, e desta
maneira Deus honraria com a vitória os valorosos combatentes. O salmo começa
convidando a cantar “um canto novo”, aqui o autor sente-se em situação nova.
Há também um
protagonismo dos Fiéis na celebração “...ressoe o seu louvor na assembleia
dos fiéis”. Esta assembleia é desconhecida em salmos antecedentes, este
grupo, congregação ou partido, ocupa postos de relevo no salmo: no primeiro
versículo do invitatório (1) “Cantai ao Senhor um cântico novo,/Ressoe o seu
louvor na assembleia dos fiéis,” ao começar a segunda estrofe (5) “Exultem
os fiéis na glória, alegrem-se em seus leitos.” E encerrando o último
versículo (9) “Executando contra eles o julgamento pronunciado. / Tal é a
glória reservada a todos os seus fieis.”
É tradicional,
conforme Schökel, a citação de outras designações de assembleia, tais como,
“assembleia do povo” na legislação; vários salmos também mencionam uma
“assembleia numerosa”; além de uma assembleia celeste de “Santos” (Sl 89,6) e
outra infernal de “almas” (Pr 21, 16). Uma assembleia de fiéis só se encontra
em outra passagem bíblica e o dado é muito significativo: “Então se
ajuntou a eles o grupo dos judeus assideus, particularmente valentes em Israel,
apegados todos à lei” (1Mc 2, 42) (Assideus = devotos, fiéis ) .
A estes se
acrescentam outros nomes ou termos de convidados a louvar: “filhos de Sião”,
Israel, seu povo oprimido. São grupos diversos ou nomes diversos do mesmo
grupo? Os fiéis não se identificam com o povo inteiro oprimido, mas são seus
representantes e defensores, o que explica ou justifica sua espiritualidade
combativa.
Costuma-se encontrar
na exegese, este salmo na função de texto para uma dança sacra com a espada: os
executantes brandem uma espada enquanto lançam vivas a Deus. Uns executantes
fazem de inimigos vencidos, apressados, condenados; outros adiantam-se para a
execução fictícia da sentença. A dança conclui cantando a vitória. Deus há de
esmagar o inimigo por meio das armas dos soldados judeus assideus.
Transposição cristã
O símbolo bélico
proposto neste salmo é totalmente corrigido pela nova lei de Cristo, que não
aceitava a violência, nem mesmo como forma de justiça. Quando vêm para
prendê-lo com espadas, Jesus recusa tanto as legiões dos anjos como a espada de
Pedro (Mt 26, 52-54). Não aceita uma violência justa contra uma injusta, não
responde à espada. Sua vitória é de outro tipo. Por sua parte, Paulo faz das
armas interpretação metafórica.
Da mesma forma, os
Padres identificam a espada com a pregação do evangelho ou com a espada
judicial do Ap 1, 16. “Segurava na mão direita sete estrelas. De sua boca saía
uma espada afiada, de dois gumes...” A propósito de “sujeitar”, citam o dito de
Lc 11, 21-22 sobre o forte ligado por outrem mais forte. “Quando um homem
forte guarda armado a sua casa, estão em segurança os bens que possui. Mas se
sobrevier outro mais forte do que ele e o vencer, este lhe tirará todas as
armas em que confiava, e repartirá os seus despojos.”
Disse Jesus: "Aprendei
de mim que sou manso e humilde de coração, o Senhor se apresenta como aquele
que é manso, mas também humilde." Em outra passagem Ele diz: "Eu
te louvo Pai, por esconder estas coisas dos grandes e revelastes aos
pequeninos." (Mat 11, 25) ou seja, o Senhor diz que os mistérios de
Deus (Sua Santa Vontade) se revela somente aos pequenos, aos simples, àqueles
que se colocam em suas mãos com docilidade e confiança.
A missão que cada um
de nós temos diante de Deus, nosso Pai, é de nos tornarmos como esses
pequeninos, que nosso Senhor Jesus identifica como as crianças, e disse: "Em
verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como as
crianças, de modo algum entrareis no Reino dos Céus." (Mat 18, 3).
É tão importante que
aconteça essa mudança em nossas vidas de homens cheios de orgulho, presunção,
autossuficiência, que corremos um sério risco de, enquanto isso não acontecer,
não nos apropriamos do Reino de Deus e assim não estarmos em Sua Vontade
Suprema. Jesus diz: "Aquele, portanto que se tornar pequenino como esta
criança, esse é o maior no Reino dos Céus." Precisamos então, com o
auxílio da graça, nos tornarmos como esses pequeninos, ou essas criancinhas que
Jesus tanto ama. Ele próprio faz uma ameaça a quem escandalizar a um desses
pequeninos: "Caso alguém escandalize um destes pequeninos que creem em
mim, melhor será que lhe pendurem ao pescoço uma pesada mó e seja precipitado
nas profundezas do mar." (Mat 18,6) .
Assim são essas
criancinhas - os humildes - que dão a Deus o perfeito louvor - e lhe disseram:
"Estás ouvindo o que estão a dizer?" Jesus respondeu: "Sim.
Nunca lestes que: Da boca dos pequeninos e das criancinhas de peito preparaste
um louvor para ti." (Mat 21, 16) e ainda, "Os chefes dos
sacerdotes e os escribas, vendo os prodígios que fizera e as crianças que
exclamavam no Templo 'Hosana ao Filho de Davi', ficaram indignados."
(Mat 21, 15)
Portanto, cantemos
realmente um canto novo, com coração contrito e puro, com amor incondicional de
uma criança, que reconhece no Pai toda a sua segurança, proteção e provimento.
João Gonçalves
Pereira Júnior – Fundador da CST
Cristiane Queiroz
Duarte – Membro de Aliança da CST
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